Liberdade

dezembro 16, 2009 at 11:59 pm (Uncategorized)

Assim que saiu de casa ela sentiu uma forte rajada de vento atingi-la e apertou o sobretudo contra o corpo. Caminhou lentamente até a rua, sentindo o vento bagunçar seus cabelos e ouvindo o som de sua bota ao encontro do chão duro ecoando no silêncio do dia. Arriscou olhar para cima e contorceu o rosto numa careta ao encarar as enormes nuvens cinzentas que cobriam todo o céu. Apressou o passo, mas as gotas grossas e pesadas de chuva a alcançaram. Sentiu o cabelo escorrer liso e pesado sobre a cabeça, mas continuou andando. Não sabia se corria ou se mantinha apenas o passo apressado; já estava molhada mesmo. Decidiu correr para chegar mais rápido ao destino e então se secar.

A casa de madeira, pintada de branco e de telhado azul claro, logo se tornou visível. Ao avistá-la, ela correu o mais rápido que pode, como se pensasse ser possível escapar da chuva dessa maneira. Chegou à porta da casa e bateu furiosamente. O garoto abriu a porta e a convidou para entrar.

– Está encharcada.

– Jura? – Ela disse sarcasticamente. Ainda mantinha o sobretudo colado ao corpo, pois ele a mantinha aquecida apesar de molhado.

– Tire isso, vai pegar um resfriado – O garoto se aproximou e tentou retirar o sobretudo da garota. Ela não deixou.

– Está quente assim.

– Mas você vai ficar doente ! – Ele insistiu e, segundos depois, ela cedeu. 

– Agora vamos ! Temos que aproveitar ! – O garoto abriu a porta da casa e respirou fundo o cheiro que vinha da chuva.

– Aproveitar…? – A garota franziu a testa.

O garoto esticou a mão para a garota, que a segurou, e juntos saíram da casa para debaixo da chuva gelada.

E aquela foi a melhor sensação que ela podia ter sentido.

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Vento

dezembro 15, 2009 at 2:45 am (Uncategorized)

Uma seqüência de três gritos similares a urros selvagens invadiu a cidade e cortou a noite parada e iluminada pela Lua cheia até a espaçosa e aconchegante sala. A mulher no bar virou o rosto, curiosa, para a enorme janela de vidro e encarou o céu estrelado. As árvores, silenciosas, a encaravam de volta, melancólicamente, e ela logo perdeu o interesse. Abriu uma nova garrafa de vinho e encheu sua taça. Voltou para seu sofá branco e macio, mexendo o corpo lentamente ao som de Chico Buarque.

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Uma maçã

dezembro 13, 2009 at 8:18 pm (Uncategorized)

Apenas uma mordida.

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